{"provider_url": "https://www.angradosreis.rj.leg.br", "title": "Resgate da Hist\u00f3ria da C\u00e2mara", "html": "<p><span>Um v\u00e1cuo muito grande ficou na hist\u00f3ria da C\u00e2mara Municipal de Angra dos Reis. Esse fato foi explicado, em 1845, pelo ent\u00e3o Presidente Jos\u00e9 Frederico Ribeiro da Luz, que enviou missiva ao Presidente da Prov\u00edncia do Rio de Janeiro, Conselheiro C\u00e2ndido Baptista D\u2019Oliveira, relatando haver sido informado que \u201c</span><em>o Archivo se achava em huma anarchia e desordem tal, que imposs\u00edvel era conhecer qualquer papel, e muito menos orden\u00e1-los (...). Procurou a C\u00e2mara Municipal informar-se occularmente desse estado, em que se dizia estar o Archivo, e com efeito reconheceo n\u00e3o s\u00f3 esse ch\u00e1os, como mesmo falta de registros importantes, e desaparecimento de pap\u00e9is de dom\u00ednio da C\u00e2mara\u201d.</em></p>\r\n<p align=\"justify\"><em><br /></em></p>\r\n<p align=\"justify\">No Arquivo Nacional, algumas Cartas R\u00e9gias retratam parte da hist\u00f3ria de Angra dos Reis, sempre com a participa\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara de Vereadores. A chamada Villa de Angra dos Reis era constantemente atacada por cors\u00e1rios e isso fez com que fossem adotadas diversas provid\u00eancias visando sua defesa. Em 08.01.1700 foi expedida Carta R\u00e9gia acerca da informa\u00e7\u00e3o de Bento Correia de Souza Coutinho, para que se fizesse uma fortaleza na Ilha Grande; Carta R\u00e9gia datada de 27.10.1700 tratava das fortifica\u00e7\u00f5es que deveriam ser feitas em S\u00e3o Paulo, Santos e Ilha Grande. Em 12.09.1704 o Rei aprovava \u201c<em>qualquer defensa que se pudesse fazer na Villa d\u2019Angra dos Reis por causa dos Corsarios</em>\u201d e, em 12.03.1707 era expedida Carta R\u00e9gia aprovando o procedimento do Governador da Prov\u00edncia, que negara licen\u00e7a ao Engenheiro Greg\u00f3rio Gomes para ir a Lisboa, por ser necess\u00e1rio que ele se encarregasse das fortifica\u00e7\u00f5es da Ilha Grande, Paraty e outras. Por fim, Carta R\u00e9gia datada de 19.11.1712 ordenava que se mandasse para a Villa de Angra dos Reis tropa de Infantaria para lhe servir de guarni\u00e7\u00e3o, e alguma artilharia para defesa contra os ataques dos franceses. Dois anos depois, em 07.02.1714, uma Provis\u00e3o aprovava haver, o Governador, mandado para guarni\u00e7\u00e3o da Ilha Grande, uma companhia e muni\u00e7\u00f5es de guerra.<br /><br /> Outros documentos \u2013 tamb\u00e9m guardados no Arquivo Nacional e no Arquivo P\u00fablico do Estado do Rio de Janeiro \u2013 retratam algumas lutas empreendidas pela C\u00e2mara Municipal de Angra dos Reis, posteriores \u00e0 Lei Provincial n\u00ba. 06, de 28.03.1835, que elevou a Vila de Angra dos Reis \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de cidade, juntamente com Campos dos Goytacazes e Niter\u00f3i.<br /><br />Em 14.12.1839 teve in\u00edcio a luta pela constru\u00e7\u00e3o de um cemit\u00e9rio, com a C\u00e2mara enviando carta \u00e0 Prov\u00edncia, rogando fosse ordenado ao engenheiro chefe da 1\u00aa Sess\u00e3o que, quando fosse \u00e0 cidade, examinasse o melhor local para erigir o cemit\u00e9rio, levantasse a planta, or\u00e7asse o custo e entregasse \u00e0 C\u00e2mara para aquele fim. Somente em 12.09.1850 veio a resposta, atrav\u00e9s de Of\u00edcio do engenheiro, dizendo que o cemit\u00e9rio deveria ser colocado na Praia do Anil, ao norte da cidade. A resposta da C\u00e2mara foi imediata:\u00a0<em>\u201cConsideramos o local impr\u00f3prio, pois, por ser arenoso, impossibilita a pr\u00e1tica de sepulturas que se n\u00e3o podem conservar com firmeza e que com brevidade trar\u00e3o os cad\u00e1veres \u00e0 superf\u00edcie da terra, causando esses males que tanto se procura evitar, como dando esse espet\u00e1culo pouco digno de civiliza\u00e7\u00e3o\u201d</em>. Assinaram a Ata: Luiz da Cunha Pinto, Jos\u00e9 Francisco Ribeiro da Luz, Manoel Jos\u00e9 de Medeiros, Domingos Lopes dos Santos e Manoel Barbosa.<br />Na \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o a luta teve in\u00edcio em 1841, quando a C\u00e2mara enviou carta ao Presidente da Prov\u00edncia pedindo que fosse arrendado um edif\u00edcio para se estabelecer o\u00a0<em>\u201cLyc\u00eao Provincial\u201d.</em><br /><br />A busca por verbas para realiza\u00e7\u00e3o de obras tamb\u00e9m \u00e9 antiga: em 1846, a C\u00e2mara enviou missiva ao Presidente da Prov\u00edncia do Rio de Janeiro relatando haver tido conhecimento de um projeto de lei em discuss\u00e3o na Assembl\u00e9ia da Prov\u00edncia, que tendia a converter grande parte das Rendas Provinciais em Municipais. Antecipando-se \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o do projeto, os vereadores solicitavam que, caso passasse a sobredita lei, fosse dedicada aten\u00e7\u00e3o especial ao estado de decad\u00eancia em que se encontrava a cidade, designando como estrada geral do munic\u00edpio a nova Japu\u00edba, por ser mais curta para o centro e vir diretamente ter \u00e0 cidade.</p>\r\n<table class=\"invisible\">\r\n<tbody>\r\n<tr><th><img src=\"https://www.angradosreis.rj.leg.br/imagens/nova_sede_legislativo.jpg\" align=\"center\" title=\"\" class=\"image-inline\" alt=\"\" /></th></tr>\r\n<tr>\r\n<td style=\"text-align: center; \">Nova sede do Legislativo</td>\r\n</tr>\r\n<tr>\r\n<td>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0</td>\r\n</tr>\r\n</tbody>\r\n</table>\r\n<p style=\"text-align: justify; \"><span>A luta pela constru\u00e7\u00e3o da nova sede do Legislativo foi longa, iniciando-se em 1848, quando foi pedida a constru\u00e7\u00e3o de um novo edif\u00edcio para a Casa da C\u00e2mara, pris\u00f5es, Tribunal de Murada e reuni\u00e3o do\u00a0</span><em>\u201cCollegio Eleitoral\u201d.</em><span>\u00a0A nova Casa da C\u00e2mara, que hoje abriga o Governo Municipal, foi constru\u00edda somente 16 anos depois, em 1874. Para l\u00e1 foi transferida a C\u00e2mara Municipal de Angra dos Reis, permanecendo no antigo pr\u00e9dio - atual Plen\u00e1rio, a Delegacia e a Cadeia P\u00fablica. Em 1978 a antiga sede do Legislativo foi totalmente reconstru\u00edda e em 29.07.1978 o Poder Legislativo Angrense voltou a funcionar naquele primeiro local, que n\u00e3o mais abrigava a Delegacia e a Cadeia P\u00fablica. Era Governador Floriano Faria Lima; o Almirante Jair Carneiro Toscano de Brito era Prefeito e a C\u00e2mara Municipal tinha por presidente o m\u00e9dico Dr. Arthur Jord\u00e3o Costa.</span></p>\r\n<table class=\"invisible\">\r\n<tbody>\r\n<tr><th><img src=\"https://www.angradosreis.rj.leg.br/imagens/foto_plenario_antigo.jpg\" align=\"center\" title=\"\" class=\"image-inline\" alt=\"\" /></th></tr>\r\n<tr>\r\n<td style=\"text-align: center; \">Casa da C\u00e2mara e Cadeia</td>\r\n</tr>\r\n<tr>\r\n<td>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0</td>\r\n</tr>\r\n</tbody>\r\n</table>\r\n<p style=\"text-align: justify; \"><span>No in\u00edcio do S\u00e9culo XX, o angrense General Hon\u00f3rio de Souza Lima convenceu o Presidente da Rep\u00fablica Marechal Hermes da Fonseca a aceitar a doa\u00e7\u00e3o de extenso terreno que a C\u00e2mara de Vereadores de Angra dos Reis fazia \u00e0 Marinha, para constru\u00e7\u00e3o de uma Escola Militar. A Lei que desapropriou a Ch\u00e1cara da Tapera a favor da Marinha, para nela ser constru\u00edda a Escola Naval, foi de autoria do Capit\u00e3o Jos\u00e9 Luis da Silva, vereador e Presidente da C\u00e2mara Municipal de Angra dos Reis \u00e0 \u00e9poca. Angrense, nascido em 07 de janeiro de 1874, Jos\u00e9 Luis da Silva era filho de Jos\u00e9 Antonio da Silva Neto e de Luiza Rolim Braga da Silva. Comerciante, foi casado com Am\u00e1lia Pac\u00edfica Caminada da Silva. Era oficial da Guarda Nacional e faleceu em Angra dos Reis, no dia 20 de janeiro de 1966.</span></p>", "author_name": "", "version": "1.0", "author_url": "https://www.angradosreis.rj.leg.br/author/4616", "provider_name": "C\u00e2mara Municipal", "type": "rich"}